quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Malaise

Tanto tempo. Eu escrevia como terapia e achei que não precisasse mais.

Há uns dias tenho uma ideia criando forma na minha cabeça: eu sou péssimo no que eu faço pra viver. E pior: vivo pra fazer isso.
Dá uma angústia pensar que os últimos dez anos se revelaram um perda de tempo sem tamanho. Como estivador no porto eu estaria trabalhando do mesmo jeito, só que com um sindicato mais forte. Não que uma profissão tenha a ver com a outra, ou que eu ande carregando peso; não consigo enxergar significado durante a execução de todos os procedimentos, tabelas, relatórios e estudos que me pedem pra fazer. Falta paixão.

O que falta mesmo é o prazer de fazer uma tarefa. Não o salário no fim do mês, ou os benefícios da empresa, ou o status que isso me dá, ou a influência que tenho do alto do meu cargo. Falta propósito. Se eu fosse francês, diria que é uma doença social. Diria que vivemos numa sociedade sem propósito. Não estamos construindo nada que não seja essa corrida atrás do vento que é a busca da prosperidade. Não temos ideias nem ideais - nem uma língua descente, depois que aposentaram metade dos acentos.

Eu queria ter a coragem desse pessoal que larga tudo. Queria começar de novo, refazer as escolhas que fiz. Queria me sentir livre. Pensando bem, sempre quis, nunca fui. Quando você cria uma reputação desde cedo, você é prisioneiro dela, até que viva aqueles vinte segundos de coragem que dizem que é o bastante. Mas eu não tenho essa coragem. Tenho alguns compromissos; com o banco, com os meus amores e comigo mesmo. Não nessa ordem.

Vou tentar melhorar amanhã. Boa noite.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Das esquinas em que nunca entrei

Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
E eis que eu chego em casa, cansado. Sento na frente desse computador e começo a escrever, do nada, um poema.
eu venho falar de sonho
dos sonhos que tenho contigo
eu sonho e tu me levas
os sonhos são meu perigo
no tempo em que eu gostava
das coisas que vêm de longe
sonhava te ver perto
distância [sempre] me consome
ah, se eu pudesse estar em todo lugar
voava pra perto dela
só pra ver ela sonhar
Um dia eu queria ser músico. Sanfoneiro. Pra embalar uma noite de fogueira, daquelas em que alguém encontra outro alguém, eles dançam, namoram e a história segue.
Mas tem placa na estrada que a gente nunca segue, correto? Aquela do mirante na beira da estrada, a outra da praia desconhecida. Enfim, a minha é essa aí: a das histórias que continuam.

terça-feira, 21 de junho de 2011

As razões da minha angústia

Medo. Que medo do medo que dá.
 
Eu sou egoísta e medroso, quem lê isso aqui sabe. Tudo sou eu, e tudo são coisas que não fiz, nem teria coragem de fazer.
 
Tirando isso, eles dizem que eu sou gente boa. Eu me comovo quando alguém conta histórias tristes, rio das alegres; quer dizer, eu ouço e tento entender o lado de quem me conta a história. A pior parte da minha vida é que eu entendo. E ainda apoio. Não gosto desse apoio que concorda; gosto do que questiona, e esse eu não sei dar.
Quando eu sabia de tudo não me importava, porque eu sabia o que era certo e o que era errado. Melhor, eu sabia o que importava: meus projetos de papel cartão, minha bicicleta, meus livros de exercícios resolvidos antes das aulas começarem e as brigas com meu eterno amor. Era o que eu amava até a loirinha dos olhos verdes aparecer. E sumir.
 
O que me incomoda não é essa falta de foco presente, de saber o que quero e o que devo fazer. Meu problema é isso não incomodar. Sim, porque eu não sei dizer porque estamos aqui e não me preocupo em achar resposta nenhuma. O que eu quero é um pouquinho de paz. Férias. Alguém do lado que diga que eu estou errado, me mostre o caminho e dê um jeito de me fazer aprender a viver. Porque é isso que a voz dentro da minha cabeça diz e eu faço de conta que não escuto. Afinal, a mente da gente é uma companhia perigosa.
 
O que me anima é não saber onde isso vai dar. Assim dá pra acreditar no futuro do mesmo jeito que eu acredito em olhos que não piscam.